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Ministro da Administração Interna pede "ampla auditoria" à Secretaria-Geral e SIRESP
O ministro justificou a exoneração do ex-secretário-geral do MAI, Ricardo Carrilho, com a "reorganização da Secretaria-Geral".
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, disse hoje que ainda esta semana vai pedir à Inspeção Geral das Finanças uma "ampla auditoria" a toda a contratação e atividade da secretaria-geral e do SIRESP.
"O SIRESP foi auditado até 2024 e o que eu vou pedir é que toda esta área possa ser devidamente auditada por uma instituição de reconhecido mérito, do ponto de vista do que é a legalidade e formalidade dos atos", disse o ministro, que falava após a posse do novo secretário-geral da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (MAI), Nuno Miguel Parreira da Silva.
A cerimónia de posse, no MAI em Lisboa, acontece depois de o ministro, no início da semana, ter demitido Ricardo Carrilho, que era o secretário-geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI). Este considerou na atura a exoneração "um ato de retaliação" e acusou Luís Neves de "pressões ilegítimas" e "de uma interferência política asfixiante".
O ministro justificou a exoneração com a "reorganização da Secretaria-Geral".
Já para Ricardo Carrilho o que levou a esta situação foi ter proposto a extinção da SIRESP SA, uma empresa pública que gere a rede de emergência do Estado e que se transformou num "sorvedouro de dinheiros públicos". Ricardo Carrilho disse ainda que em julho apresentou uma proposta de reestruturação.
Hoje, depois da posse, e sem responder a perguntas dos jornalistas, Luís Neves afirmou, sobre o assunto, estar "permanentemente disponível" para, no Parlamento, prestar todos os esclarecimentos, sobre qualquer matéria.
Na cerimónia de posse o ministro falou das funções do SGMAI, disse que o conhecimento técnico e os anos de serviço são importantes mas que também é preciso "saber colocar a responsabilidade da função acima de ambições ou preferências pessoais, ou políticas, e preservar a confiança nas instituições que se servem".
"Quem assume estas funções deve compreender os objetivos definidos, aconselhar com franqueza, apresentar soluções e mobilizar os serviços para os concretizar. A Secretaria-Geral apoia a tutela, não dirige a tutela", referiu.
Luís Neves salientou que o secretário-geral deve promover a articulação entre as diversas forças, aproximar posições e construir entendimentos que permitam utilizar melhor os recursos e responder com maior eficácia.
Deve também "concretizar este grande propósito sempre em cooperação e não em permanente conflitualidade, confrontação, com tudo e com todos".
O ministro, que nunca se referiu a Ricardo Carrilho, falou da reestruturação da Secretaria-Geral, no quadro da reforma da administração central do Estado, falou da modernização do serviço e do que ela significa, razão que o levou a escolher Miguel Parreira da Silva, com mais de três décadas de serviço público, com responsabilidades na gestão financeira e logística, no comando e na direção, no ensino e na formação e na cooperação internacional.
Deixou ainda uma "palavra de reconhecimento" aos trabalhadores da Secretaria-Geral, que não têm passado "tempos fáceis", porque a secretaria tem agora pouco mais de metade dos seus quadros preenchidos.
Nuno Parreira da Silva, que também não comentou a polémica sobre a saída do seu antecessor, prometeu fazer da cooperação entre as diversas forças e serviços do MAI uma "prioridade permanente" e disse que iria dedicar a primeira semana no cargo para conhecer com rigor a situação existente.